Nesta quinta-feira (4), a Secretaria de Recursos Hídricos e Saneamento (SRHS), participou da Semana de Inovação da Compesa 2025, em nome do seu Secretário, Almir Cirilo e o Secretário Executivo de Saneamento, Artur Coutinho. O evento acontece anualmente e é composto por palestras, painéis e trocas de experiências, com o propósito de discutir as soluções inovadoras que estão sendo empregadas e as que estão para ser utilizadas no saneamento básico de Pernambuco: abastecimento de água potável, esgotamento sanitário, manejo de águas pluviais e manejo de resíduos sólidos. O evento teve início com a roda de conversa Desafios e Importância da Inovação para o Saneamento, com a presença do Secretário da SRHS, Almir Cirilo, e mediação da Gerente de Inovação e Transformação Digital da Compesa, Catarina Vila Nova. Compuseram a mesa também o presidente da Compesa, Douglas Nóbrega e o Diretor Comercial e de Tecnologia da Compesa, Kleber Coelho Paz.
De modo geral, os participantes destacaram que as soluções tecnológicas para o nosso estado têm que considerar sua particularidade territorial, cuja geometria em linha horizontal o torna sujeito a diferentes climas, além de possuir uma grande área sob clima seco. Isso impõe estratégias inovadoras mais desafiadoras do que em outros estados, que dispõem de um clima mais homogêneo. O presidente da Compesa destacou, ainda, que inovação não é, necessariamente, o uso de ferramentas tecnológicas, mas envolve atitude pessoal, cultura organizacional, simplificação de processos e capacidade de transformar conhecimento em resultados concretos.
“São 18 anos, não consecutivos, sempre interagindo com a Compensa. Então, eu quero registrar, assim, o fato de que essa empresa sempre esteve preocupada com inovação, ciência, tecnologia e na melhor operação dos seus sistemas hídricos”, declarou Almir Cirilo.
A discussão começou com um resgate histórico da evolução da hidrogeologia em Pernambuco, mostrando que o estado convive há décadas com limitações estruturais e geográficas que afetam a segurança hídrica. O Secretário Almir Cirilo lembrou os esforços pioneiros de pesquisa universitária, principalmente no monitoramento de aquíferos e na modelagem de intrusão salina, reforçando a importância da ciência no apoio às decisões públicas.
“No final do século passado, o Recife passava por um racionamento de água severo, de 1 dia com água e 10 sem. Foi nessa época que as construtoras começaram a fazer propaganda, ‘comprem um apartamento e ganham um poço’. Então fui chamado pela Universidade Federal de Pernambuco para que a gente começasse a desenvolver modelos matemáticos que estudassem a intrusão salina nos arquipélagos costeiros da região metropolitana. Porque essa era uma preocupação que continua até hoje, de que a superexploração iria fazer com que a água do mar entrasse e contaminasse os poços. Então, aquilo já era inovação”, relatou Almir Cirilo.
O Secretário Executivo, Artur Coutinho, participou do painel Governo de Pernambuco no Protagonismo da Inovação e Transformação Digital . Ele destacou os projetos que estão sendo tomados pelo Governo de Pernambuco para o saneamento rural.
“Na roda de conversa, apresentei os projetos inovadores que o Estado de Pernambuco vem executando na área de recursos hídricos e saneamento. Destaquei o SISARs como uma política pública inovadora, que envolve a própria comunidade na gestão do saneamento e funciona como uma verdadeira startup social. Falei também sobre a Plataforma de Saneamento Rural, que já mapeou mais de 1,4 milhão de pessoas e permite ao governo identificar exatamente onde estão as comunidades rurais para planejar ações, elaborar projetos e ampliar o alcance das políticas públicas. Abordei ainda a política de dessalinização e a escala inédita que estamos alcançando: embora historicamente houvesse cerca de 300 sistemas, somente nesta gestão estamos implantando aproximadamente 450 dessalinizadores”, destacou Artur Coutinho.
De modo geral, foram citados avanços já alcançados, como a ampliação do uso do BIM e a chegada de novos financiamentos nacionais e internacionais que permitirão modernizar sistemas e ampliar a infraestrutura. Ao mesmo tempo, foram mencionados problemas persistentes, como furtos de água em adutoras e perdas operacionais, que exigem novas soluções tecnológicas e modelos de gestão mais ágeis.
--
Reportagem: Izabela Cavalcanti - SRHS/PE